Chegámos ao Outono, a temperatura baixa, os dias ficam mais pequenos, e quem tem uma tartaruga em casa questiona-se: “devo deixá-la dormir?”

Alguns defendem – “é o mais natural!”; outros exclamam – “deixá-la ao frio tanto tempo?!”

Na verdade, a hibernação constitui uma reacção natural de algumas espécies de  répteis a temperaturas mais baixas do que as suas funções normais exigem. Quando a temperatura do ambiente desce para fora do intervalo térmico para o qual a espécie está preparada, o seu organismo começa a diminuir todo o seu metabolismo até quase parar. Para algumas espécies, no seu habitat original, esta hibernação faz parte do seu ritmo anual. Para as espécies de climas temperados, como o nosso cágado mais comum, Mauremys leprosa, o normal é passarem 3 a 5 meses do ano a dormir. Para outras, como as Tartarugas da Florida, Trachemys, Pseudemys, ou do Mississipi, Graptemys, de climas tropicais ou subtropicais, o mais normal é não chegarem a hibernar no seu território de origem. Por vezes, estas espécies atravessam períodos de temperaturas relativamente baixas e diminuem a sua actividade, não chegando, normalmente, a uma verdadeira ou prolongada hibernação.

Assim, quem quiser manter-se fiel às condições ambientais originais e específicas para cada tartaruga, deverá permitir a hibernação às espécies de climas temperados, e evitá-la para as espécies tropicais, como a maioria das semiaquáticas mantidas como animal de estimação.

No caso das tartarugas que hibernam no seu clima original, vários mecanismos internos tornaram-se dependentes daquela. É o caso do sistema imunológico, que garante as defesas naturais, e o caso da reprodução, que geralmente carece do estímulo do acordar da hibernação para ser levada a bom porto. No entanto, se estas espécies, onde se incluem a maior parte das tartarugas terrestres, não hibernarem, podem perfeitamente gozar de uma vida longa e cheia de saúde.

 

Quando é que devemos evitar a hibernação?

  1. Quando a tartaruga pertence a uma espécie que naturalmente não hiberna, no seu habitat natural.
  2. Quando o animal se apresenta fraco, doente, é juvenil ou idoso, já que, durante a hibernação, ao ficar o metabolismo diminuído quase até zero, as próprias defesas estão de armas baixadas para qualquer doença ou ameaça que surja, ou até já se encontre presente, numa forma sub-clínica, latente.
  3. Quando o animal tem conteúdo alimentar no tubo digestivo pois, ao baixar toda a actividade orgânica, também a digestão pára, acabando o alimento por deteriorar-se, apodrecer e servir de substrato para infecções secundárias.
  4. Quando existe pouco tempo ou disponibilidade para verificar as condições anteriores.

Assim, em caso de dúvida, e se não existir nenhuma razão especial, mais vale manter as nossas tartarugas sempre quentinhas, todo o ano! Para isso, é necessário recorrer a termómetros e fontes de calor, como os tapetes térmicos, lâmpadas ou resistências de aquários.

Para o próximo mês mas dicas sobre os nossos exóticos…

 

Joel Ferraz

Médico Veterinário

Director Clinico do Centro Veterinário de Exóticos do Porto

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