No último mês prometemos regressar para continuar a falar de tudo o que precisa de saber antes de adquirir um gato… e aqui estamos nós, bem-vindos ao maravilhoso Mundo Felino!

Comecemos pela eterna questão: um cão ou um gato?

Quem prefere os cães gosta do amor incondicional desta espécie, mas será que os gatos são assim tão diferentes? Sim, é verdade que os gatos são mais independentes (em modo selvagem são caçadores solitários e juntam-se a outros membros da espécie para acasalar), ao contrário dos cães que têm instinto de grupo (vivem em matilha). Mas o facto é que se pensarmos nas origens de cada espécie, damo-nos conta que a domesticação do cão iniciou-se há pelo menos 27.000 anos atrás, enquanto que no caso dos gatos estima-se que tenha ocorrido há apenas 9.500 anos. Quem tem um gato sabe que na verdade estes pequenos felinos nunca foram verdadeiramente domesticados e, atrevemo-nos mesmo a dizer: os gatos não só têm um amor incondicional pelos seus tutores, como também têm a capacidade de nos fazer sentir o mesmo por eles em pouco tempo de convivência. Mais ainda, quem tem um gato na sua vida descobre facilmente o sentido da frase “Os cães têm donos, os gatos têm staff!”.

Nas últimas décadas o gato tem-se tornado cada vez mais popular, sendo já em alguns países o novo “melhor amigo do homem”. Qual a razão desta mudança? O gato adapta-se muito bem ao estilo de vida dos tempos modernos: o facto de não ladrar e ser de pequeno porte são atrativos para quem vive num apartamento; o gato passa cerca de duas horas por dia a lavar-se, precisando de poucos cuidados de higiene (ex. banhos); o gato urina e defeca na caixa de areia, não sendo necessário levá-lo à rua várias vezes por dia como no caso dos cães. O aumento de serviços como o “Pet Walking” (passeio de cães) e de “Creches Caninas” surgem na tentativa de colmatar a falta de tempo da vida citadina, sendo necessário ponderar todos os prós e contras antes de decidir ter um animal de companhia. Mas atenção, se quer beneficiar da saúde e bem-estar que as longas caminhadas diárias com um cão podem trazer à sua vida não basta contratar estes serviços.

Independentemente de optar por um cão ou por um gato, o que realmente importa e ao mesmo tempo nos fascina é o carinho e o companheirismo que eles trazem à nossa vida. Cada um à sua maneira e de uma forma tão peculiar. Mas cá entre nós, porque não ter o melhor de dois mundos? Cães e gatos podem conviver e complementar-se de uma maneira única.

Um gatinho ou um gato sénior?

Não existe nenhuma fórmula mágica para escolher o gato que melhor se adapta ao seu estilo de vida, mas perceber as suas expectativas e conhecer o que é que o gato precisa para ser feliz é o primeiro passo (reveja aqui o artigo do mês de Outubro de 2018 – “Os 5 Pilares do Bem Estar Felino!”).

Ter um gatinho permite-nos acompanhar todas as fases da vida do nosso novo companheiro e, ao mesmo tempo, pudermos usufruir do encanto (e fofura) que é ter um gatinho bebé em casa. No entanto, não nos podemos esquecer que os gatinhos exigem muita atenção e maior preparação para evitar acidentes (ex. objetos partidos, engolir lãs, quedas, etc). Também necessitam de um maior planeamento de idas ao médico veterinário (ex. vacinas, esterilização, etc,) uma vez que são mais frequentes nesta etapa da vida do gato. Lembre-se que os gatinhos crescem muito rapidamente e que em 6 meses terá um gato jovem adulto em casa e não um bebé.

Optar por um gato adulto tem vantagens pois permite-nos ter uma boa ideia da personalidade do gato e averiguar se irá adaptar-se bem à nova família. No entanto, é preciso ter em atenção que se ele está numa situação menos ideal (ex. vive na rua ou está num abrigo com vários animais), poderá estar assustado e agir de uma maneira muito diferente ao que faria se estivesse relaxado. Um gato adulto confiante adapta-se muito rapidamente mas um gato nervoso pode levar mais algum tempo. Também devemos considerar que um gato adulto ou sénior faz menos asneiras e que não precisa de tanto tempo para brincar.

Alguns gatos mais tímidos precisam de previsibilidade no seu dia-a-dia para se sentirem seguros e relaxados (relembre que um dos 5 pilares do bem-estar felino é a sensação de segurança pela sua condição natural de presa) e, uma família sem crianças, que raramente tem visitas em casa ou que levam uma vida mais tranquila poderá ser a melhor opção. Por sua vez, há gatos que são mais felizes com maior interação social e adaptam-se bem a uma casa mais movimentada.

Qual o sexo do gato que devo escolher?

O sexo do gato não tem grande relevância desde que sejam esterilizados. No caso de não ser realizada a esterilização, as gatas entram em cio (com miados repetitivos e incomodativos associados), podem engravidar e ter ninhadas com inúmeros gatinhos e os machos podem fazer marcação territorial com urina de odor intenso. No caso de já ter um gato adulto esterilizado em casa e pensar ter outro gato, opte por um gatinho do sexo oposto pois pode ajudar na integração do novo membro.

Com pelo curto ou pelo comprido?

Antes de optar por um gato de pelo longo lembre-se que será necessário fazer escovagens diárias. Pondere bem se tem disponibilidade de tempo para o fazer e conte com mais pelos pela casa. Optar por um gato de pelo comprido e recorrer a tosquias totais para contornar esse “problema” não faz sentido, além de que estas são desaconselhadas. Apesar de ter um gato de pelo curto ser uma opção muito mais fácil, o pelo cairá igualmente e deve ter também isso em consideração. Existem gatos sem pelo, como os gatos da raça Sphynx, mas precisam igualmente de muito tempo e esforço para manter a pele limpa. Alguns podem até mesmo deixar manchas de gordura pelos móveis da casa e precisar de banhos regulares.

Quer uma dica de Alma Felina? Habitue desde cedo o seu gato aos cuidados de higiene que ele necessita para que seja uma tarefa agradável para os dois e de fácil execução.

Devo optar por um gato de raça?

É certo que os gatos têm uma personalidade muito individual, mas existem algumas raças que nos permitem prever alguns aspetos de personalidade. Os gatos Siameses, por exemplo, são conhecidos por serem muito “faladores”. Antes de optar por um gato de raça aconselhe-se primeiro com o médico veterinário sobre as características da raça, sobre a prevalência de doenças genéticas em algumas raças de gatos (ex. rins poliquísticos nos Persas) e se o bem-estar do gato pode estar comprometido pela sua aparência estética (ex. problemas articulares nos Scottish Fold). Lembre-se que a saúde vem em primeiro lugar e que a aparência física é o que menos importa.

Quando devo levar o gato para casa?

Se após ponderar em tudo o que ter um gato acarreta (qual o tipo de gato que melhor se adapta à sua família, o que ele precisa para ser feliz, os custos associados, etc.) e optou por seguir em frente, parabéns, está prestes a ter uma experiência que sem dúvida mudará a sua vida para sempre! Opte por um momento calmo para o levar para sua casa e tente que seja numa altura em que possa estar um dia ou dois em casa para que o processo de adaptação seja mais acompanhado.

No mês de Dezembro voltaremos ao Maravilhoso Mundo Felino para falar dos cuidados de saúde necessários em cada etapa da vida do gato: júnior, adulto e sénior. Para isso iremos contar com a preciosa ajuda dos nossos gatos da Alma Felina e, apesar de sermos suspeitos… achamos que vai adorar conhecê-los!

Joana Valente

Médica Veterinária

Alma Veterinária – Hospital Veterinário

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