Tal como nós, humanos, alguns animais precisam de pacemakers para manter os seus corações a bater. O primeiro pacemaker colocado num cão foi em 1967, na Universidade da Pensilvânia. Hoje em dia este procedimento é realizado habitualmente em vários centros especializados no mundo inteiro, inclusive em Portugal.

Em condições normais o coração envia um sinal elétrico repetitivo que estimula o músculo a contrair e a bombear o sangue para todo o corpo. Este sinal é controlado e coordenado, como se tratasse de um relógio.
Porém, nalgumas situações este sinal é distorcido. Esta distorção é causada por arritmias como os bloqueios atrioventriculares de segundo e terceiro graus, a síndrome do seio doente e a paragem atrial. Assim sendo, o animal pode desenvolver sinais clínicos como intolerância ao exercício e síncopes. A solução passa pela implantação de um pacemaker que vai permitir controlar o sinal elétrico. Com este procedimento consegue-se melhorar a
qualidade de vida do animal e aumentar a sua esperança de vida em vários anos, dependendo do estado de saúde geral.

O pacemaker é composto por duas partes: um gerador de pulso que contém a bateria e um pequeno computador que se pode programar de acordo com as necessidades do animal. A outra parte consiste num elétrodo que transmite os impulsos elétricos desde o gerador até ao coração e vice-versa (Figura 1).

Figura 1 – Radiografia de uma implantação de pacemaker que mostra o trajeto do elétrodo desde o ventrículo direito até á veia jugular, tecido subcutâneo e gerador.

A implantação do Pacemaker consiste numa pequena incisão no pescoço do cão sendo o elétrodo inserido pela veia jugular até ao coração. O veterinário usa a fluoroscopia (raio- movimento) para visualizar o elétrodo a chegar ao coração. O gerador é colocado debaixo da pele na zona do pescoço. A duração do procedimento é de cerca de uma hora.

No dia seguinte o animal já pode ir para casa com apenas um penso na zona do pescoço. Cerca de 10 dias depois são retirados os pontos e é feito um controlo passado um mês e depois cada 6 meses. Felizmente, a maioria dos animais não vai precisar de medicação depois da colocação do pacemaker.

Apesar dos mitos e receios à volta do uso do pacemaker, este é um dispositivo eletrónico extremamente sofisticado e um dos mais seguros do mundo. Está protegido contra as micro-ondas e campos eletromagnéticos que não constituem um perigo para o funcionamento correto deste. Apenas será importante notificar o médico veterinário caso um animal com pacemaker seja submetido a uma tomografia axial computorizada ou uma ressonância
magnética.

 

Luis Lobo
Médico Veterinário

Hospital Veterinário do Porto
luis.lobo@onevetgroup.pt

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