A maioria dos animais que necessitam de hospitalização apresentam um quadro clínico grave que exige a intervenção imediata do Médico Veterinário. A presença de condições como a anorexia ou desnutrição podem muitas vezes contribuir para o agravamento do quadro clínico e agravamento do prognóstico.

Um animal saudável consegue adaptar-se facilmente a períodos de jejum, utilizando as suas reservas corporais de hidratos de carbono, lípidos e proteínas através de mecanismos que diminuem o gasto energético e preservam as proteínas. Por outro lado, um paciente doente ou traumatizado irá catabolizar preferencialmente massa magra sempre que o aporte calórico seja insuficiente. As consequências da malnutrição com perda contínua de massa corporal magra incluem efeitos negativos na cicatrização de feridas, diminuição da função imunitária, diminuição da força (tanto esquelética quanto respiratória e inclusive do músculo cardíaco), falência de múltiplos órgãos e, em última instância, mau prognóstico geral com aumento da morbilidade e mortalidade.

Um ponto importante no que diz respeito ao suporte nutricional de pacientes hospitalizados é que o objetivo imediato não é o de alcançar o “ganho de peso”, mas sim minimizar a perda de massa corporal magra. O fornecimento de suporte nutricional visa assim restaurar as deficiências nutricionais e minimizar o desenvolvimento de desnutrição em pacientes de risco.

Espera-se que a nutrição ocorra da forma o mais fisiológica possível. Portanto, diante de um paciente que não ingere por si o alimento, o primeiro passo a ser adotado deverá ser estimulação da ingestão natural. Em alguns casos oferecer alimentos palatáveis e aquecidos é suficiente para que o animal consuma a quantidade necessária de nutrientes e calorias.  A simples presença do dono, por reduzir o stress, também pode estimular o animal a voltar a alimentar-se espontaneamente. Em algumas situações pode inclusivamente ser considerada a estimulação medicamentosa do apetite numa fase inicial.

Caso todas essas alternativas falhem e o animal continue sem comer sozinho, o próximo passo será a aplicação de técnicas mais precisas de suporte nutricional, tais como a Nutrição Enteral via sonda e a Nutrição Parenteral via endovenosa, cuja escolha mais adequada depende do estado clínico e da patologia do paciente.

Nestas situações de cuidados críticos as necessidades do cão e do gato são em muito semelhantes: o alimento de eleição deve conter níveis aumentados de proteína de elevada qualidade para ajudar na recuperação, reparação e preservar a massa muscular magra; elevada densidade de nutrientes para fornecer energia para a recuperação (com maior % de energia proveniente das gorduras e proteínas); conter Zinco e Arginina para ajudar na cicatrização de feridas, ácidos gordos Ómega 3 para ajudar no maneio da inflamação e elevada digestibilidade, ajudando a garantir alta absorção de nutrientes e a diminuir a carga de trabalho intestinal.

Existem no mercado opções já formuladas que reúnem estes requisitos e que, devido à sua elevada palatabilidade, facilidade de administração e de conservação, acabam por ser as escolhas mais seguras na recuperação destes pacientes em estado de desnutrição, atuando ativamente no melhoramento do seu prognóstico clínico.

 

Ana Isabel Gouveia

Médica Veterinária

Vet Business Development

Nestlé Purina Pet Care

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