Os sentimentos associados à partilha, e que vivemos de forma especial em determinadas épocas da nossa vida, são muitas vezes o motor para tomar uma boa decisão que é a adoção de um animal de estimação.

Esta decisão é sempre revestida de alguma (compreensível) impulsividade, pelo que a mesma deve ser contrabalançada com algum planeamento e organização prévios. Assim maximizamos a integração do animal não humano na família humana e minimizamos o risco de aparecimento de problemas de comportamento que, muitas das vezes, acabam por afectar a qualidade de vida de animais e tutores.

Neste sentido, e independentemente da espécie de animal de estimação escolhido, eis alguns conselhos que podem ser úteis na sua escolha e que devem ser implementados antes da sua chegada à nossa casa:

– Pesquise sobre o tipo de animal que mais se adequa ao seu estilo de vida e especialmente à sua disponibilidade de investimento de tempo e de recursos, só assim conseguirá assegurar o seu bem-estar de forma contínua;

– Faça uma visita ao local de proveniência do animal para conhecer condições de maneio e cuidados prestados, nomeadamente a nível de higiene, de alimentação e de interacção no caso das espécies sociais (e solicite também dados relativos a boletins de sanidade);

– Confirme com um médico veterinário se os critérios apurados nos dois pontos anteriores são credíveis e se estão adequados às suas expectativas (e aproveite para recolher informações sobre as necessidades de plano de saúde para os primeiros meses do animal);

– No caso das espécies sociais (como o cão e o gato), faça mais do que uma visita ao local de proveniência do animal para interagir directamente e de forma positiva com ele, o que facilitará no dia de a remoção brusca do seu ambiente habitual, pois não será um estranho a levá-lo embora;

– Adquira os todos os objectos necessários ao maneio diário do animal (artigos para alimentação, artigos de transporte, artigos de higiene, etc.), pois se estes estiverem já presentes no novo ambiente o processo de habituação aos mesmos será feito de forma mais célere;

– Solicite ao local de proveniência do animal, para levar no dia da adopção, a disponibilização de algum objecto do ambiente habitual do animal (material de ninho, brinquedos, pêlos ou penas caídas dos progenitores ou irmãos, etc.), pois este levará consigo odores que lhe são familiares, o que transmitirá uma sensação de maior segurança no novo ambiente;

– Solicite ao local de proveniência do animal, para levar no dia da adopção,  a disponibilização de algumas porções de refeição do alimento habitual, para facilitar a transição alimentar, o que evitará comportamentos de diminuição de ingestão de alimento ou de ingestão excessiva de novos alimentos e/ ou de problemas digestivos associados;

– Finalmente, organize a sua agenda pessoal por forma a dedicar o máximo de tempo possível não só à chegada do animal a casa, mas também nos dias seguintes à mesma, para que toda a fase inicial de adopção possa ser mais facilmente monitorizada.

E relembre que na perspectiva do animal esta fase da vida não é apenas um momento de vivência exclusiva de alegrias e boas novidades, como o é habitualmente na perspectiva do tutor, pois para além de não ter tido a mesma informação antecipada sobre o turbilhão de mudanças que está a experienciar (ambiente, família, regras, etc.), está envolvido num intenso processo diário de novas aprendizagens.

 

Maria Isabel Santos

Mestre em Medicina Veterinária

Consultora em Comportamento Animal

 

 

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