As úlceras da córnea são perdas de substância, mais ou menos profunda, nesta estrutura ocular. Estas lesões são normalmente acompanhadas de dor local e de alterações do aspeto como o edema e a vascularização da córnea.

Conforme a profundidade da perda de substância as úlceras podem ser erosões, úlceras superficiais ou úlceras profundas.

Fig 1 – úlcera da córnea

É um problema muito frequente em oftalmologia veterinária porque as suas causas são múltiplas. O prognóstico nem sempre é favorável pois as úlceras da córnea podem ser causa de cegueira, seja por perfuração do globo ocular ou por opacificações cicatriciais.

Os principais sintomas são a dor local traduzida por corrimento ocular, fotofobia, palpebras cerradas e 3ª pálpebra subida. Acompanhados de edema , neovascularização e miose (contração da pupila) mais ou menos marcada.

As complicações mais comuns são os desmetocélios, a perfuração e os abcessos da córnea.

As causas:  traumatismos (arranhões, ervas, entropion e distiquiase), infeções (bacterianas, víricas e fúngicas), doenças imunitárias e problemas funcionais (insuficiência lacrimal, lesões neurológicas, sobresposição do globo ocular e distrofias da córnea – estas últimas com especial predisposição em boxers, bouledogue francês e shi tsu ).

O diagnóstico realiza-se através de um exame oftalmológico completo e metódico que se fará com auxílio com sistemas de iluminação e ampliação específicos (oftalmoloscópio e lâmpada de fenda).

Serão observadas as pálpebras, a conjuntiva, a 3ª pálpebra, a córnea, a câmara anterior , a íris e analisada a produção lacrimal.

Serão também utilizados corantes vitais e pode ser necessário realizar exames complementares (citologia, culturas, etc.).

Fig 2- Coloração da úlcera com fluoresceina

O tratamento poderá ser médico ou cirúrgico conforme a gravidade.

O tratamento médico assenta na aplicação de colírios para controlo da dor, da inflamação e prevenção/ tratamento das infeções. A sua aplicação poderá ter de ser feita múltiplas vezes por dia.

Se isto não for suficiente terá de se complementar o tratamento com cirúrgia. As técnicas mais comuns são os enxertos de conjuntiva, enxertos de córnea. Hoje em dia utilizam-se também com frequência outros biomateriais como membrana amniótica e mucosa intestinal porcina.

Fig 3- Enxerto de conjuntiva
Fig 4- Membrana Amniotica

O prognóstico depende do estado de evolução, da causa e das escolhas terapêuticas daí que um diagnóstico e tratamento corretos sejam urgentes!

Pedro Cunha e Silva

Médico Veterinário

Director Clinico do Centro de Oftalmologia Veterinária do Porto

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