Dragão Barbudo

– Dragões Barbudos!? Geckos Leopardo!? Que bichos são estes!?
– São uns bichinhos muito engraçados, muito bonitos e até relativamente fáceis de manter… podendo ser óptimos animais de estimação se os conhecermos um pouco melhor…

DRAGÃO BARBUDO

Originários da Austrália, os Dragões Barbudos, de nome científico Pogona vitticeps, vivem em habitats secos, podendo encontrar-se em florestas mais áridas ou mesmo no deserto. Na Natureza passam grande parte do dia à procura de alimento, enterrando-se na terra em alturas mais quentes do dia. São animais diurnos.
Possuem um comportamento dócil, calmo mas divertido, interativo, permitindo um bom contacto com o ser humano, raramente atacando. Podem ser alojados em casais ou em grupos em que só exista 1 macho. De qualquer forma, vivem bem sozinhos.

Para alojar um Dragão Barbudo, o ideal é um terrário com uma base de pelo menos 50 por 100 cm. Como substrato devemos usar papel de cozinha ou jornal, ou substratos à base de papel ou madeira prensados, na forma de pellets. Outros materiais, como a areia, as aparas de madeira ou “areia de gato”, devem ser evitados, por poderem causar impactações gastro-intestinais.

No terrário deve sempre existir um recipiente com pouca altura da água fresca para manter alguma humidade ambiente, permitir que o Dragão beba e se possa banhar, o que é muito importante para estimular a defecação e a micção.

A temperatura do ambiente não deve ser constante, devendo existir um gradiente entre o hot spot, a 32-40oC, e uma zona mais fria, a 25oC. De noite a temperatura pode descer até os 20oC. A temperatura é um tema fundamental para os répteis… ao contrário dos mamíferos e das aves, eles não conseguem produzir calor. Para atingir as temperaturas adequadas ao seu metabolismo, os répteis precisam de obtê-las diretamente do meio ambiente. Se um réptil for mantido num ambiente com temperaturas abaixo ou acima do intervalo indicado para cada espécie, a sua

temperatura corporal nunca vai permitir um bom funcionamento do organismo, e as patologias vão começar a aparecer…

A iluminação também é um factor muito importante. Os Dragões Barbudos precisam de ser expostos a uma boa fonte de radiação que imite a luz solar. A solução mais eficaz são as lâmpadas que incluem o espectro visível, mas também a radiação UV-A e, fundamentalmente, UV-B. Esta última é fundamental para a absorção do cálcio da dieta, através da activação da vitamina D.

A humidade relativa do ar deve estar entre os 30 e os 40%.

Todas as fontes de luz e de calor devem ser inacessíveis ao contacto físico com os répteis, pois eles não têm sensibilidade térmica superficial, podendo sofrer severas queimaduras sem as sentir. No entanto, não pode existir nenhuma barreira de vidro ou plástico entre as radiações UV-B e o réptil, já que aquelas são filtradas por aqueles materiais.

No terrário deverão também existir materiais que o Dragão possa trepar e pelo menos um esconderijo, importantíssimo para conferir sensação de segurança e reduzir os níveis de stress que podem ser muito deletérios para a saúde de qualquer animal.

2 factores importantes que não podem ser esquecidos são a ventilação, importantíssima para manter uma boa qualidade do ar, e a higiene, imprescindível para evitar doenças infecciosas e parasitárias.

Relativamente à dieta, estes animais são omnívoros. Em juvenis, devem alimentar-se de uma grande quantidade de insetos, de diversas espécies, bem como de vegetais variados (10-40% dieta: vegetais). Em adultos deverão comer mais ocasionalmente os insectos, e maioritariamente os vegetais (50-60% dieta: vegetais). Os insectos, criados em cativeiro, e os vegetais, não possuem vitaminas e minerais necessários para os répteis, pelo que é aconselhado suplementá-los com Cálcio e Vitamina D3 a cada 1 ou 2 dias e com multivitamínicos (vit. A, B, C, D, …) a cada 3-4 dias (mais suplementação para juvenis; menos suplementação para adultos). Existem várias dietas comerciais com diferentes apresentações, possuindo na sua composição os vários nutrientes necessários, incluindo os minerais e as vitaminas. Se mais de metade da dieta consistir nestas dietas comerciais, não será necessário suplementá-la com Cálcio nem Vitaminas. No entanto, estas dietas não são tão apetecíveis para a maioria dos lagartos, acabando muitas vezes por ser rejeitadas.

Na natureza, antes da época reprodutiva, os Dragões Barbudos costumam entrar num estado de letargia durante 1 a 3 meses, chamado de brumação. Isto corresponde a um período em que as temperaturas descem e os dias ficam mais curtos. Em cativeiro, mesmo não havendo diferenças significativas nestes factores, alguns Dragões fazem na mesma a brumação, passando algum tempo em repouso, sem apetite nenhum.

O Dragão barbudo atinge a maturidade sexual entre o 1o e 2o ano de idade, tendo uma longevidade média de 8 anos (máximo registado de 15 anos), chegando a poder atingir comprimentos de 56 cm do nariz à extremidade da cauda e os 510g de peso corporal. Na época reprodutiva as fêmeas podem ter 3 a 5 Posturas, cada uma com cerca de 20 ovos.

Estes lagartos exibem alguns comportamentos engraçados, como acenar com o braço (sinal de submissão) ou dilatar a região da barbela, ficando com a “barba preta”, querendo dizer que estão assustados, sob stress, ou zangados.

Dragão Barbudo
Dragão Barbudo

GECKO LEOPARDO

O Gecko Leopardo é um lagarto proveniente das zonas semi-áridas do deserto e planícies rochosas do Afeganistão, Índia e Paquistão. É também um animal afável, calmo e fácil de se adaptar ao cativeiro. Por ser mais pequeno é ainda mais prático de manter (comprimento máximo 25cm, peso máximo 100g).

Muito do que foi dito anteriormente aplica-se também para este Gecko. Assim, vamos tentar salientar as diferenças. Ao contrário do anterior barbudo, este lagarto não necessita de grande exposição solar, podendo dispensar as lâmpadas de UV-B no terrário, já que na Natureza são crepusculares ou nocturnos. No entanto, esta decisão é controversa, talvez havendo vantagem em utilizar lâmpadas com espectro mais fraco de UV-B, durante poucas horas do dia, já que estes animais podem por vezes exibir patologias relacionadas com a carência de cálcio e vitamina D… O alojamento pode ser parecido com o do Dragão Barbudo, em termos de grupos de animais (idealmente sozinhos, e nunca mais do que um macho), dimensões do terrário (um pouco mais

Dragão Barbudo

pequeno), substrato, humidade e higiene. Além do recipiente com água, necessitam ainda de um esconderijo húmido, principalmente para facilitar a muda de pele. As temperaturas ambientes devem ser mais baixas, encontrando-se entre os extremos de 22 e 32oC.

Quanto à dieta, deve ser constituída por insectos variados, com suplementação de cálcio e vitaminas igual ao que se referiu atrás.

O Gecko Leopardo atinge a maturidade sexual antes do 1o ano de idade, tendo uma esperança média de vida um pouco maior do que a do Dragão Barbudo (cerca de 13 anos, com um máximo de 30 anos!). Por ano podem existir 3 a 8 posturas, cada uma com 2 ovos.

Gecko Leopardo

Como em qualquer animal, estes dois lagartos beneficiam de uma consulta de rotina para exame geral, revisão do maneio geral e dieta e exame fecal. Este último é muito importante para detectar alguns problemas, como os parasitas, antes de eles se manifestarem e produzirem quadros clínicos mais complicados. Nestas consultas, que deverão ser semestrais, estes animais devem também ser desparasitados.


Membro de insecto e ovo de parasita (Oxiurus) em fezes de Dragão Barbudo

O quadro seguinte resume as condições gerais de maneio e algumas características biológicas destes dois espetaculares animais de companhia.


Impactação gastro-intestinal por pedras de substracto em Gecko Leopardo

Impactação gastro-intestinal por pedras de substracto em Gecko Leopardo – RX

Joel Ferraz

Médico Veterinário – Centro Veterinário de Exóticos do Porto

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