Na grande maioria dos casos, até porque vai de encontro a algumas das nossas realizações pessoais enquanto cuidadores, a escolha da idade de um animal de estimação, recai habitualmente na fase de vida inicial de cães ou de gatos, ou seja, quando estes são cachorros ou gatinhos com semanas de vida.

Nesse sentido, tornasse importante aferir de qual será a melhor altura para programar a saída destes pequenos seres de junto da sua família, isto é, de junto da progenitora e da restante ninhada. Isto porque, e à semelhança do que acontece com um bebé humano, existem etapas fundamentais a nível do crescimento e da aprendizagem pelas quais todos os cachorros e todos os gatinhos têm de passar para garante de uma vida futura equilibrada.

Fora algumas situações de excepção, como o caso de animais encontrados abandonados ou de recém-nascidos que ficam órfãos, é importante que a transição entre o meio familiar dos cachorros e dos gatinhos e o nosso meio familiar seja efectuada na altura mais correcta e, por vezes, contrariando a ansiedade natural de alguns tutores em trazer o mais rapidamente possível para casa o seu novo animal de estimação.

Esta fase de vida, apesar de pequena em termos temporais para a espécie humana, é extremamente enriquecedora em termos psicológicos para a modelação de todo o comportamento futuro de cão e de gato. Por esse motivo, o tempo em que os juvenis passam com a mãe e os irmãos, é o chamado período de sociabilização.

No caso dos gatinhos, o período de sociabilização inicia se à 2ª semana e decorre até cerca da 7ª semana de vida. No caso dos cachorros, vai desde a 3ª semana até a um período entre a 12ª à 16ª semana, em que este intervalo vai variar em função do tipo de cão (nesta espécie há uma maior variabilidade de crescimento em função do tamanho que o animal irá ter em adulto).

Neste período os animais aprendem toda a comunicação intra-espécie (da mesma espécie) sobre todos os tipos de funções que poderão ter que realizar (alimentar, eliminação, reprodução, etc.), mas também estabelecem a comunicação com outras espécies (inter-espécie). Se pretendermos que estas sejam consideradas amigas (mesmo aquelas que em natureza são consideradas como presa ou predador), então temos que expor estes animais, de forma gradual e em contexto positivo, às mesmas. Assim se processa, por exemplo, a prevenção de problemas de medos a humanos.

Nesta altura da vida, os cachorros e os gatinhos também adquirem mecanismos de autocontrolo quanto à intensidade a exercer quando utiliza os dentes, as patas e as unhas, nomeadamente através de brincadeiras entre irmãos e com a mãe a intervir sempre e quando é necessário. Um afastamento precoce destes animais da ninhada pode levar a alterações comportamentais de agressividade dirigida a pessoas ou a outros animais da mesma espécie, caracterizadas por o que denominamos de “falta de controlo na mordedura”.

Por tudo isto, a separação da ninhada no caso dos cachorros está recomendada que seja realizada por volta dos três meses de idade e nos gatinhos, dado o seu desenvolvimento neurológico mais precoce, em torno dos dois meses de idade.

Para além de determinante para a expressão futura de todos os comportamentos normais da espécie, um desenrolar sem sobressaltos destas etapas é fundamental para assegurar uma boa integração de cada indivíduo em particular no contexto de uma família humana.

Maria Isabel Santos

Mestre em Medicina Veterinária

Consultora em Comportamento Animal

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