A hidrocefalia é a doença congénita mais comumente encontrada ao nível do sistema nervoso canino, consistindo numa alteração na circulação do líquido cefalorraquidiano (LCR), que conduz à dilatação do sistema ventricular.

O sistema ventricular consiste numa “rede” de canais preenchidos por líquido, que existem dentro do cérebro. Estes canais recebem o nome de ventrículos, sendo o local de formação e armazenamento do líquido cefalorraquidiano, que protege e nutre o sistema nervoso central.


Sistema ventricular canino – os ventrículos encontram-se coloridos a amarelo

Trata-se de uma alteração mais frequente em raças pequenas e miniatura (Bulldog Inglês, Pug, Lulu da Pomerânia, Yorkshire Terrier, Chihuahua, Pinscher).

Em geral, os animais hidrocéfalos apresentam alteração do estado mental, défices nas respostas dos pares cranianos, convulsões e alterações marcadas na marcha, como a realização de círculos. O estado mental pode variar de depressão para hiperexcitabilidade, com ou sem alterações no estado de consciência. Pode, também, haver défices visuais e auditivos, incoordenação, bem como alterações pupilares (ficam dilatadas e fixas), cegueira, estrabismo quer ventral quer ventrolateral e alterações na forma da caixa craniana.

Abóbada craniana tipica de hidrocefalia severa

A Tomografia Computorizada (TAC) e a Ressonância Magnética (RM) são os métodos imagiológicos frequentemente utilizados no diagnóstico de Hidrocefalia. No caso de ainda não haver encerramento das fontanelas cranianas, também se pode usar a ecografia.


Imagens de TAC (linha superior) e RM (linha inferior) de dois animais diagnosticados com Hidrocefalia.
Note-se a distensão marcada dos ventrículos laterais: no TAC aparecem como estruturas escuras no meio do parênquima cerebral, enquanto na RM, dependendo do tipo de sequência utilizada, poderá aparecera branco ou negro (1). Imagens cedidas pelo Centro de Imagem Montenegro (civetmontenegro@gmail.com)

Dependendo da gravidade dos sinais e alteração da vida do animal, o tratamento pode ser médico ou cirúrgico.

O tratamento médico divide-se em dois grandes grupos de fármacos: diuréticos e glucocorticóides. O objetivo é diminuir a produção de LCR (ou a sua acumulação) tanto no sistema ventricular como na medula espinhal.

O tratamento cirúrgico baseia-se em shunts regulados por válvulas, sistema que permite drenar o LCR do sistema ventricular para outro local de absorção, normalmente a cavidade abdominal.

TAC realizado a um animal com Hidrocefalia, após a colocação do shunt ventriculoperitoneal. Imagem cedida pelo Centro de Imagem Montenegro (civetmontenegro@gmail.com)
 

Vânia Evaristo

Médica Veterinária

Hospital Referência Veterinária Montenegro

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