A Fimose é uma doença onde o macho apresenta incapacidade de exteriorizar o pénis devido a uma diminuição ou ausência da abertura do prepúcio (orifício prepucial).

Esta doença não tem predisposição racial e pode ser congénita (presente ao nascimento) ou ocorrer em qualquer idade e ser considerada uma doença adquirida – em caso de inflamações, infeções, cicatrizes após trauma, tumores, etc. Os defeitos prepuciais congénitos podem demorar meses a serem diagnosticados tendo em conta o tamanho do defeito.
SINAIS CLINICOS
Os sinais clínicos dependem da dimensão do defeito prepucial. Na presença de oclusão completa do orifício prepucial o animal não consegue urinar provocando a morte do animal pouco tempo após o nascimento. Se o orifício prepucial está presente, mas é pequeno e impede a exteriorização do pénis, pode provocar infeções urinarias, balanopostites (infeções do prepúcio), gotejamento constante de urina e tumefação do prepúcio (por retenção da urina). Se a capacidade de micção não for afetada podem ser assintomáticos.
Nestes casos o macho não consegue concretizar a cópula com a fêmea porque não consegue exteriorizar o pénis e ter uma ereção normal.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é feito pelo exame clínico e do aparelho reprodutor do animal onde se verifica a presença de um orifício prepucial pequeno e a consequente incapacidade de exteriorização do pénis. Em animais com secreção prepucial e alterações urinárias associadas poderá ser necessário a realização de cultura bacteriana, avaliação urinária e investigação da causa subjacente.
TRATAMENTO
O tratamento consiste em eliminar os fatores predisponentes nas fimoses adquiridas (infeção, inflamação, cicatrizes após trauma, tumores, etc.) e tratar as infeções bacterianas associadas. A indicação para resolução cirúrgica depende do tamanho do orifício prepucial, dos sinais clínicos associados (desconforto a urinar, balanopostites e infeções urinarias recorrentes…) e do interesse reprodutivo do animal. Em casos mais graves, a correção cirúrgica para aumentar o diâmetro do orifício prepucial e permitir o movimento normal do pénis, é o tratamento de eleição. Em animais jovens pode ser necessário uma segunda correção cirúrgica durante a idade adulta, após o crescimento estar completo.
Com tratamento médico e correção cirúrgica (quando indicada) o prognóstico é bom e a maioria dos animais conseguem ter uma vida normal.
Patricia Soares
Médica Veterinária
Hospital de Referência Veterinaria Montenegro
Licenciada com Mestrado Integrado em Medicina Veterinária pelo ICBAS-UP em 2013. Realizou estágio extracurricular na clínica veterinária Ars Veterinaria em Barcelona (Espanha) e estágio curricular no H.V. Montenegro. Iniciou a sua atividade profissional no Hospital Veterinário Montenegro em 2013.
Fez formação na área de imagiologia, citologia/microbiologia veterinária, cardiologia e reprodução. Tem como principais áreas de interesse a reprodução, a neonatologia e a cardiologia.
