O Sistema Nervoso Central (SNC), tal como qualquer tecido presente no organismo dos nossos animais é passível de sofrer inflamação. Falamos de Meningite quando são as meninges que estão afectadas (“capas” que revestem o sistema nervoso) e falamos de Meningoencefalite quando há afecção quer das meninges, quer do tecido cerebral (encefálico).

Fig.1 –  Representação das meninges e tecido cerebral

Existem várias causas para ocorrer a inflamação do tecido nervoso, hoje focaremo-nos apenas em uma: a Meningoencefalite Granulomatosa.

A Meningoencefalite Granulomatosa (MEG) é uma doença inflamatória de etiologia ainda desconhecida (pensa-se que multifatorial, podendo a predisposição familiar e mecanismos imunopatológicos desempenharem algum papel no seu desenvolvimento), que afeta qualquer raça canina, mas que ocorre mais frequentemente em cães de raças toy e terriers. De fato, a MEG é responsável por aproximadamente 25% das doenças do SNC canino, havendo de momento, três formas de MEG descritas: disseminada, focal ou ocular. Caracteriza-se pela formação de nódulos/lesões inflamatórias (aglomerados de células inflamatórias) que se depositam aleatoriamente no tecido nervoso.

Que sinais clínicos apresentam os animais com Meningoencefalite Granulomatosa?

Os sinais apresentados vão diferir consoante a localização dos nódulos/lesões inflamatórias. Podemos identificar lesões vestibulares (desequilíbrio, inclinação da cabeça, movimento anómalo ocular), convulsões, cegueira, descoordenação dos membros (ataxia) ou mesmo paresia (redução da capacidade de movimento), dor.

Os sinais neurológicos associados com a forma focal da MEG podem ser agudos ou lentamente progressivos. A forma ocular da MEG manifesta-se como uma aguda alteração da visão, alterações pupilares variáveis (comummente dilatadas e não responsivas), vários graus de edema do nervo óptico e ocasionalmente corioretinite. Cães com MEG ocular podem ter concomitantemente ou progressivamente desenvolver lesões disseminadas no SNC.

Como posso saber se o meu animal tem MEG?

O diagnóstico das lesões inflamatórias do sistema nervoso é feito com base na anamnese e história clínica, Ressonância Magnética associada a recolha e análise de Líquido Cefalorraquidiano (LCR).

(Nota: o LCR é um líquido que circula entre as meninges e em zonas específicas do sistema nervoso, nutrindo o mesmo. A sua colheita é realizada com recurso a uma punção na zona do pescoço).

Na Ressonância podemos identificar nódulo/s, edema do tecido cerebral, captação de contraste quer pelo tecido cerebral quer pelas meninges, e ainda desvio das estruturas cerebrais (efeito massa). No que diz respeito ao LCR, este normalmente apresenta aumento das células inflamatórias e proteínas, mas pode eventualmente ser normal.

Fig.2- Cão com dois nódulos inflamatórios
Fig.3 – Cão com apenas um nódulo. Nos dois casos foi feita colheita de LCR para confirmação da suspeita.
Imagens gentilmente cedidas pelo Centro de Imagem Montenegro

O protocolo de diagnóstico passará sempre pela associação dos resultados da Ressonância Magnética e do LCR, podendo haver várias possibilidades de combinações:

A Meningoencefalite granulomatosa tem tratamento? E cura?

O tratamento para a MEG consiste na diminuição da reacção inflamatória anómala, usando para o efeito fármacos imunossupressores, sendo a cortisona o mais comum. Na realidade, não existe tratamento definitivo/cura para as lesões inflamatórias do SNC, o tratamento é prolongado e em alguns animais, para a vida toda. Ainda, nem todos os animais respondem de forma positiva ao tratamento. O objectivo do tratamento é a supressão do sistema imune do cão pelo máximo de tempo possível e, claro, com os menores efeitos secundários possíveis.

Vânia Evaristo

Médica Veterinária

Hospital Referência Veterinária Montenegro

Please follow and like us: