A síndrome de disfunção cognitiva é uma doença multifactorial e complexa, parecendo assemelhar-se à Doença de Alzheimer, em humanos. Os animais mais afectados são geralmente os geriátricos (mais de 9 anos em cães e mais de 12 anos em gatos), mas deve ter-se em conta em animais com mais de 7 anos com deterioração cognitiva progressiva.
Os sinais que os animais apresentam são inúmeros e inespecíficos: incluem falta de atenção, inactividade, ansiedade, distúrbios nos ciclos de sono, vaguear pela casa, muitas vezes de noite, perda de memória e comportamentos aprendidos, perda de audição, vocalização excessiva. Os gatos apresentam vocalizações, comportamentos agressivos e começam a urinar fora da caixa.

Assim
como nas pessoas, o diagnóstico de Síndrome de Disfunção Cognitiva é feito com
recurso aos sinais clínicos e queixas dos tutores. Antes de chegar a um
diagnóstico, o veterinário deve excluir todas as causas sistémicas que possam
dar sinais semelhantes (doenças endócrinas, dor abdominal, por exemplo) e
alterações estruturais do cérebro (tumor, por exemplo).
Desta forma, deverão ser realizadas análises ao
sangue e urina, ecografia abdominal, raio X ao tórax e ressonância magnética.
A nível de Ressonância Magnética, podemos não ter alterações na imagem (descartando assim outras causas neurológicas para as alterações comportamentais) ou ter evidências de “envelhecimento cerebral”, como atrofia cerebral, sulcos cerebrais marcados, aumento dos ventrículos. Estas alterações não são específicas da Síndrome de Disfunção Cognitiva, mas encontram-se muitas vezes associadas.

Nestas imagens evidencia-se a atrofia cortical marcada com a presença de sulcos cerebrais muito marcados, bem delineados pelo Líquido Cefalorraquidiano (*) e a diminuição do tamanho da adesão intertalâmica (círculo). Imagem cedida por Centro de Imagem Montenegro.

Comparação entre os sulcos cerebrais de um animal de 10 anos com sinais clínicos compatíveis com disfunção cognitiva (à esq) e um animal de 4 anos (à direita). Os sulcos estão marcados com *. Imagem cedida por Centro de Imagem Montenegro.
Assim como na Doença de Alzheimer, em humanos, não existe cura para a Síndrome de Disfunção Cognitiva, apenas medicação para reduzir a ansiedade e enriquecimento ambiental, de forma a estimular o processo cognitivo do animal e atrasar a progressão dos sinais.

Vânia Evaristo
Médica Veterinária
Hospital Referência Veterinária Montenegro
Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) em 2014. Realizou estágio curricular no Centro Veterinário Arca Real em Valladolid (Espanha) e no Hospital de Referência Veterinária Montenegro (Porto). Iniciou a sua atividade profissional em Outubro de 2014 no Centro de Imagem Montenegro e Hospital de Referência Veterinária Montenegro. Tem como principais áreas de interesse a Imagiologia, Neurologia e Medicina de Urgência, nos quais tem realizado vários cursos nacionais e internacionais.
