A discoespondilite é uma infecção do disco intervertebral e das vértebras adjacentes, geralmente por bactérias coagulase positivas (Staphylococcus), podendo também ser secundária a bactérias como Streptococcus, Brucella ou ainda fungos (por ex. Aspergillus spp).

Na maioria dos casos, a bactéria entra na coluna via corrente sanguínea oriunda de uma infecção num outro local do corpo, mas também pode ocorrer migração de corpos estranhos (ervas, por exemplo) ou ter origem iatrogénica (após cirurgia à coluna ou injecção paraespinhal).


Imagem 1: adaptado de https://vcahospitals.com

Em que tipo de animais é que pode acontecer?

É tipicamente uma doença de cães de raça média e grande, se bem que pode ocorrer também em cães pequenos, e mais raramente em gatos. Alguns cães têm maior probabilidade de sofrerem de discoespondilite, nomeadamente animais com infecções crónicas (como dermatites prolongadas), imunossupressão (devido a tratamento prolongado com esteróides, quimioterapia).

Quais são os sinais que o meu cão pode apresentar?

Os sinais podem incluir dor inespecífica, claudicação, febre, anorexia, perda de peso, dor abdominal e alterações neurológicas que vão desde ataxia ligeira a plegia, que pode ocorrer após fractura patológica da coluna ou Empiema (presença de pús no canal vertebral).

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico pode ser feito através de radiografia, tomografia computorizada (TC), ressonância magnética (RM). Devem realizar-se análises gerais, hemograma e urianálise antes de qualquer exame de imagiologia avançada.

A detecção do foco de infecção é mais precoce com técnicas de imagem mais avançadas: Ressonância Magnética, depois a TC e por último, a radiografia, que detecta alterações já em estado mais avançado.

TC/radiografia: as alterações encontradas incluem osteólise (destruição óssea) das terminações vertebrais adjacentes com ou sem osteólise do osso subjacente e variam consoante a fase da lesão:

            – Numa fase activa precoce verifica-se osteólise da terminação vertebral e encurtamento do espaço intervertebral;

– Numa fase activa mais tardia verifica-se destruição mais pronunciada da terminação vertebral associada a esclerose do osso subjacente, formação de novo osso reactivo e colapso do espaço intervertebral. Se há proliferação significativa de tecido mole inflamatório ou subluxação intervertebral, pode ocorrer compressão da medula espinal;

– Na fase reparativa pode ocorrer o colapso completo da articulação com posterior união por novo osso reactivo.


Imagem 2: Exemplo de discoespondilite na zona lombossacra (entre as vértebras L7-S1) identificada por TAC. Imagem gentilmente cedida pelo Centro de Imagem Montenegro.

RM: as características da RM da discoespondilite incluem intensidade mista em ponderações T2 no espaço intervertebral e hipointensidade em T1, hiperintensidade em T2 e STIR nos corpos vertebrais afectados e tecidos moles adjacentes durante a fase activa inicial. O disco, osso medular e tecidos moles adjacentes captam contraste intensamente nas fases activas da doença.
            A RM pode ser menos sensível que o TAC a monitorizar a destruição e produção óssea na fase activa e reparativa, respectivamente, no entanto por evidenciar as lesões primárias dos tecidos moles, pode diagnosticar lesões que ainda não têm afecção óssea.


Imagem 3: Discoespondilite identificada por RM, e exame de controlo. Imagem gentilmente cedida pelo Centro de Imagem Montenegro.

A discoespondilite tem tratamento?

O tratamento deve ser realizado segundo cultura e antibiograma, e tem a duração de vários meses, incluindo também controlo de dor e fisioterapia. Devem ser realizados controlos imagiológicos a cada 2 meses. O prognóstico é geralmente favorável para discoespondilites bacterianas, melhor quanto menos sinais neurológicos o animal apresentar. Relativamente às discoespondilites fúngicas, estas estão associadas a um pior prognóstico, uma vez que no momento do diagnóstico, a infecção já se encontra habitualmente disseminada.

Vânia Evaristo

Médica Veterinária

Hospital Referência Veterinária Montenegro

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